
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Aquele Querido Mês de Agosto

Master Class do Tarantino

A paixão de Tarantino pelo cinema é tamanha, que Bastardos Inglórios não poderia ser outra coisa senão a sua mais apaixonada declaração de amor a 7ª arte. Ele acredita no poder transformador do cinema, no combustível maravilhoso e incediário que ele pode ser, na sua capacidade de transformar pessoas e por que não, o mundo? E é lindo acima de tudo como Tarantino transforma o que poderia ser um monte de referências vazias e auto-indulgentes num espatáculo revisionista do que o cinema já foi e ainda pode ser.
Maravilhoso também poder conhecer esses personagens nascidos da mente desse cineasta intrincado. Afinal, como poderíamos ter a chance de conhecer tão bem o Coronel Hans Landa, personagem riquíssimo, interpretado por um ator extraordinário como Christoph Waltz? Ou Shossana e seu olhar triste mas muito forte, interpretada pela lindíssima Melanie Laurent?
E quando citei 3 grandes cineastas inspiradores de Tarantino esqueci de um tão ou mais importante que deve estar dando pulos de alegria com esse filme: Samuel Fuller! Quem viu "The Big Red One" sabe do que eu to dizendo...
E dizer que esse é disparado o melhor filme do ano é chover no molhado! Provavelmente deve ser mesmo é melhor filme da década!
sábado, 26 de setembro de 2009
Mostra de Cinema Português
Apesar das cópias serem todas em DVD, a projeção está bem mais digna que muita cópia da Rain, e por isso, creio eu, não será empecilho pra ninguém que queira prestigiar a Mostra.
Abaixo segue programação:
Dia 28 - Casa de Lava
Dia 29 - Odete
Dia 30 - Tráfico
Dia 1 - Uma Abelha na Chuva
Dia 2 - Vai e Vem (excepcionalmente, sessões às 12h, 15h e 19h30)
Dia 3 - Branca de Neve
Dia 4 - Ossos
Dia 5 - Non ou A Vã Glória de Mandar
Observação: os filmes Odete, Tráfico, Ossos e NON, estão sem legenda (somente com o português de Portugal).
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
The Hurt Locker (Guerra ao Terror)

Descaso total dessas distribuidoras brasileiras que lançam o melhor filme sobre a guerra do Iraque (sim, melhor inclusive que o potentíssimo Redacted de Brian de Palma) direto em DVD - o mesmo acontece com Giallo, novo filme do mestre Dario Argento.
Kathryn Bigelow faz um filme agressivo, tenso, mas acima de tudo humano, centrado em apenas 3 personagens que pertencem a um esquadrão anti-bomba no Iraque. Impressiona e muito o crescente clima de tensão que vai se estabelecendo ao longo do filme. Cada mínimo objeto de cena parece que vai explodir a qualquer momento.
Mas o grande trunfo do filme pra mim, é não se render a discursos políticos e cravar seus afiados dentes na cabeça de um homem que aos poucos vai se viciando na entorpecência da guerra. É fácil, das melhores coisas que vi esse ano, sem sombra de dúvida!
A plenitude do cinema de Gray

Amantes é pra mim o melhor filme de James Gray. O que não é pouco (sou fá incondicional de Fuga para Odessa, Os Donos da Noite e um pouco menos entusiasmado de The Yards). Aparentemente o mais simples de seus 4 filmes, trabalhando agora outro gênero que não o policial, Gray consegue atingir o supra sumo de seu talento como diretor, como cineasta. Exatamente por trabalhar com esse mínimo de elementos, essa singeleza de argumento, Gray tem tempo suficiente pra construir imagéticamente seus personagens e com isso transbordar de vida cada fotograma desse seu novo filme. Emocionante Joaquin Phoenix em cena, quase que um co-autor do filme ( sem falar de Isabella Rosseline, claro). Pena que a cópia em Rain exibida no Bouganville é das coisas mais vexatórias que eu já vi na vida!
quinta-feira, 2 de julho de 2009
A Lógica do Horror
Vejamos Deixa Ela Entrar, do sueco Tomas Alfredson. Belíssima incursão no gênero, é impressionante como o filme lida com seus clichês de maneira tão natural, tão simples e delicada. Primeiro por que há ali algo que é comum a grande maioria dos filmes citados acima e principalmente no cinema de horror não hollywoodiano feito atualmente. Há uma diluição de roteiro em prol da misé-en-scéne. A decupagem é a principal ferramenta nesse sentido, e todas os mecanismos que dela nascem. Em Deixa Ela Entrar, fica visível uma série de conceitos que estéticamente colocam o filme num patamar bem diferenciado do que vem sendo produzido em terror comercialmente. O que mais impressiona a priori é o uso incisivo do fora de campo, o mostrar e não mostrar. É claro que veremos ali muito sangue, membros decepados, mas eles sempre vão surgir de fora, de um outro espaço que a câmera não se atreve a registrar, e é daí que nasce o verdadeiro horror.
Mas e o filme como registro de seu tempo? Ah sim, há ali para além do horror a fábula sobre a infância, sobre o turbilhão de emoções, descobertas e inquietações que todos nós um dia passamos. E centenas de outros filmes já trataram desse assunto. A diferença é que Alfredson , sempre buscando a sutileza e a sugestão, apoiando-se principalmente em olhares, e claro, na premissa de horror, trará para dentro do filme algo que outras obras não almejam e nem conseguem facilmente: o registro do âmago, do que se passa dentro de nós. E é ai que reside a beleza do filme.
Para Kiyoshi Kurosawa o terror também é apenas um subterfúgio para o registro de nossas inquietações. Pensemos em Pulse, filme que de forma sinistra aborda um tema igualmente sinistro mas não menos revelador e importante: suicidios coletivos na internet. Como mestre que é Kurosawa não faz um filme fechado nesse tema. Para além disso, cria uma obra extremamente humana, existencial, sobre o fim das relações afetivas, sobre a frieza do mundo, incomunicabilidade, sobre a digitalização do mundo e por que não, da morte. É um filme apocalíptico, assim como é também O Nevoeiro, Fim dos Tempos e Diário dos Mortos.
Mas o que impressiona verdadeiramente nos filmes de Kiyoshi, é a aproximação do real, do banal, ao fantástico. Não raro, seus filmes ditos "realistas" (Sonata de Tóquio e Liscense to Live) conseguem captar quase que invisivelmente toda uma aura de fantasia que estão inerentes a eles. Não vemos nada, mas a magia perpassa por cada sequência.
Volto então a falar um pouco sobre a sugestão dentro do cinema de horror. Se em Deixa Ela Entrar e também em alguns filmes de Kurosawa ela era uma das principais ferramentas para se extrair o terror, no novo cinema de horror produzido na França essa é uma palavra banida. Todos os filmes franceses do gênero se destacam por explorar de maneira "pornográfica" cada centímetro de pele e sangue cortados. Essa "pornografia da violência" porém não me parece gratuita. Diferentemente de filmes com Jogos Mortais e O Albergue, a violência não é o fim, mas o meio para se chegar ao fim. Vejamos A Invasora (ou mesmo Alta Tensão de Alexandre Aja e Calvaire de Fabrice Du Welz). Poucas vezes a idéia de violência foi tratada de maneira tão doentia como aqui, mas o filme em si, para além da violência, me soou como um impressionante delírio de uma grávida, de uma possível depressão pré-parto (ou pós), e de todas as dificuldades e desdobramentos que imagino ser gerar uma vida dentro de si. Mulheres sabem bem, mas recomendo com força para homens que verão na carne o que pode ser isso. Nesse sentido o filme não tem a menor intensão de fazer concessões, visto que para atingir o ponto certo, o diretor Alexandre Bustillo deveria lançar mão do máximo de ultra-violência possível para atingir o efeito desejado. É o sangue e a carne como metáfora da vida!
Resta pensar por fim no cinema norte-americano e o que de relevante ele tem produzido neste sentido. Romero é referência óbvia quando se pensa em cinema de horror em qualquer parte do mundo desde a década de 70. Mas não é que um de seus melhores filmes tenha surgido a essa altura do campeonato?! Em 2008 alguns filmes se prontificaram a questionar a relevânica da imagem em tempos de internet e globalização. Cloverfield de maneira bem rasteira mostrou que basta uma câmera na mão e um upload na internet, e podemos ver tudo o que de mais absurdo acontece no mundo. Redacted indo mais além, nos disse que as informações e imagens disponibilizadas pela rede, nos mais diferentes formatos, podem nos levar à verdade, ou à mentira. Mas foi Diário dos Mortos, quinto filme da sua celebre série de zumbis que mais levou adiante uma complexa discussão sobre o poder de manipulação da imagem nos tempos de hoje. E não só! Carga humana que Romero sempre carregou em seus filmes, volta aqui de maneira devastadora e também, apocalíptica.
Apocalíptico também são Fim dos Tempos do atual mestre do terror americano M. Night Shyamalan, e O Nevoeiro de Frank Darabont. Shyamalan como todos sabem bebe muito da fonte de Kiyoshi Kurosawa (e não esqueçamos, Tomas Alfredson e seu Deixa Ela Entrar também se sacia dessa mesma água), misturando de maneira indefectível realismo e fantasia, sempre buscando o horror do banal, do íntimo. O interesse pelo extra-campo é genuíno em seus filmes, sempre nos colocando num jogo entre o ver e o imaginar!E o roteiro é diluido para dar lugar a ambiências e não para tentar dar uma lógica interna ao filme(que pra mim é completamente dispensável, principalmente se pensarmos num gênero como o terror); para Shyamalan, a "verdade" (verdade fílmica) está na imagem - e suas infinitas possibilidades - e não na lógica. Seus filmes, mais especificamente Fim dos Tempos parecem querer dar conta de uma série de questóes caras a sua obra como relações pessoais, família, incomunicabilidade, fé! E Shyamalan fantasia seus filmes como gêneros (terror, hqs, sci-fi, magia) para extrair disso, algo para se falar sobre cinema, sobre vida, mas principalmente sobre a fé nisso tudo.


Surpreendentemente é o que Darabont faz também em O Nevoeiro. Se há a princípio toda uma preocupação em "não mostrar", na segunda metade do filme, tudo é mandado as favas e ele nos confronta com o absurdo do "ver". É um retorno a uma idéia antiga de filmes B que foi muito deturpada ao longo dos anos, de usar o grafismo do óbvio, para nos mostrar as sutis entrelinhas da vida. O Nevoeiro fala muito sobre sociedade e religião e o apocalipse é consequência de uma constatção que está ali na tela.
Se vermos todos esses filmes juntos, veremos ali as inquietações desses artistas diante do mundo e que me interessam muito como espectador de cinema. Inquietações não só para com o mundo, mas também para com a arte. E é ai que reside a grande magia do cinema (principalmente do cinema de horror); na possibilidade de poder enxergar o mundo através do absurdo, do ilógico, do irreal. Pra quê lógica nisso tudo?
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Goiânia Ouro homenageia Manoel de Oliveira
O Princípio da Incerteza (2002) * * *
Porto da Minha Infância (2001) * * * *
Vou Para Casa (2001) * * * *
Palavra e Utopia (2000) * * *
A Carta (1999) * * * * *
A Caixa (1994) * * * *
Vale Abraão (1993) * * * * *
Non ou a Vã Glória de Mandar (1990) * * * *
Programação da Mostra:
http://www.goiania.go.gov.br/sistemas/snger/asp/snger01010r1.asp?varDt_Noticia=02/02/2009&varHr_Noticia=08:30
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Ainda sobre o senso crítico...
http://www.contracampo.com.br/92/pgpublicidadevenceu.htm
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Benjamin Button e o senso crítico...
O poder transformador de "A Troca"

O que é A Troca senão um filme conceito? Conceito num sentido bem radical da palavra por que o que faz Clint Eastwood nesse seu novo filme, além de trazer à tona diversos fantasmas da história americana (o que ele vem fazendo abertamente desde Poder Absoluto de 1997) é subverter uma série de códigos do cinema clássico americano num reprocessamento um tanto vanguardista dessa fórmula centenária de se fazer "cinema narrativo".
Comecemos então pelo título do filme: Changeling! Mudança, troca, confusão... Clint que, longe de querer elevar seu cinema à perfeição, prefere se modificar a cada sequência, modificar o mundo (como faz Christine Collins) ou modifcar o cinema, sua narrativa, alterar o formato da tela, as cores da fotografia, a estrutura e os códigos de gênero, as atuações. Tudo em "A Troca" parece respirar e se encher de vida a cada nova sequência. Afinal flashbacks surgem do nada, sem nenhum aviso, a trama começa a se dividir em 2 ou 3 outras e o filme vai se metamorfoseando, se alterando, se reiventando como reflexo das mudanças do mundo provocadas por Christine ou por nós mesmos em nosso dia-a-dia. Daí me pego pensando em Clint Eastwood como um experimentador e não como "o último cineasta americano clássico vivo", e seu cinema se aproxima de nomes distintos como Apichatpong Weerasethakul e Alain Resnais, cujo poder de transformação se estabele no cerne de suas obras, por mais distintas que sejam elas. Seria uma comparação um tanto vaga, mas se pensarmos em palavras como fantasmas, memória, tempo, mudanças, revolução, a identificação passa a se tornar mais evidente.
Mas e o melodrama? Christine Collins la pelas tantas torce para que o filme "Aconteceu Naquela Noite" vença a edição do Oscar daquele ano. Ora, quem é Frank Capra senão o grande mestre do melodrama da era de ouro hollywoodiana? Há muito de Capra ali de fato, mas a comparação mais acertada que tenho visto por ai é a com Fritz Lang, que entrou para o cinema americano após fazer "M" que é nada menos que um filme sobre um assassino de crianças, e se firmou fazendo thrillers e suspenses noir, além de alguns melodramas, aliás donos dessa força transformadora já tão batida aqui nesse texto.
Ainda nesse sentido, a justificativa para a escolha de Angelina Jolie parece bem acertada, senão indispensável. Antes de pensarmos em sua interpretação é importante analisar sua caracterização. Esquálida, frágil, curvada para frente, branquíssima... Angelina assume ali o papel de uma menina incapaz de entender o mundo a sua volta, apesar de carregar consigo uma força incandescente de transformação. Essa dualidade entre força e fragilidade é grande trunfo de sua atuação, que mais superficialmente pode ser vista como histérica em alguns momentos ou absurdamnente fria e contida em outros.
Fica claro ao final a busca de Eastwood pela beleza da imperfeição, num filme tão abertamente dissonante, e por isso mesmo tão humano e profundo. Seja como reflexão da arte, seja como reflexão de mundo.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Uma Garota Dividida em Dois

domingo, 12 de outubro de 2008
Mostra SP 2008 - Line-up

segunda-feira, 6 de outubro de 2008
A Esquiva: cinema e política

"A imagem é uma criação pura do espírito, ela não pode nascer duma comparação, mas da aproximação de duas realidades distantes. Quanto mais longínquas e justas forem as relações que se estabelecem entre essas duas realidades, mais a imagem será forte. Duas realidades que não tenham nenhuma relação não podem ser aproximadas de modo útil […]. Uma imagem não é forte porque é brutal e fantástica, mas porque a associação das ideias é longínqua e justa." Pierre Reverdy, JLG/JLG
Preâmbulo.
O evento traz filmes inéditos por aqui, de cineastas em sua maioria com decendência africana e que retratam basicamente o cotidiano desses imigrantes na França. Dentro dessa abordagem, se destacam Abdelattif Kechiche, prêmio especial do júri e melhor atriz no Festival de Veneza do ano passado com o excelente O Segredo do Grão, e Rabah Ameur-Zaimèche cineasta que vem despertando grande interesse da crítica.
Do Kechiche será apresentado seu filme anterior, A Esquiva, vencedor de 5 César incluindo melhor filme e diretor em 2004 e que eu ainda não vi. Do Zaiméche serão os 2 primeiros filmes de uma trilogia sobre trabalhadores africanos na França, que começa com Wesh Wesh, o que foi?, seguido por Povoado Number One. Trilogia se encerra com O Último Reduto, seu último filme, recém-lançado e integrante do Festival do Rio deste ano e possivelmente da Mostra SP também.
Mostra do Cinefrance começa hoje com A Esquiva.
Aproveito pra tentar dar uma olhada na estréia da semana aqui do novo filme do Claude Chabrol, Uma Garota Divida em Dois. Chabrol é mestre e apesar de seu último filme, A Comédia do Poder ser bem meia-boca, sua filmografia é sempre de muito interesse, afinal o cara fez coisas geniais como Nas Garras do Vício, O Açougueiro, Mulheres Diabólicas... ou seja, não é pouca coisa não!
Então fica dada a largada a esse pequeno blog que vai bombar de atualizações nos próximos dias.
Veremos!